[Julio Cesar Lemes de Castro; J. C. L. Castro; Castro, Julio Cesar Lemes de; Castro, J. C. L.]

[Participação em eventos]

XVIII Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof)

Organização: Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof)
Local: Vitória (ES)
Data: 22 a 26 de outubro de 2018

Sujeito neoliberal: entre performance e gozo

CASTRO, J. C. L.

Resumo: Este trabalho pretende explorar interseções entre a economia política e a economia psíquica do neoliberalismo. O projeto neoliberal leva às últimas consequências a concepção de homo œconomicus do utilitarismo e a amoralidade nela impressa pelo marginalismo. Para Foucault, a teoria neoliberal do capital humano tende a tornar o próprio sujeito um “empreendedor de si mesmo”. Incentiva-se o investimento em si, que incide sobre atributos físicos, psíquicos e intelectuais e se vale das técnicas de si, identificadas posteriormente por Foucault em seu estudo da cultura antiga. Sob o neoliberalismo, contudo, esse investimento não tem limites, podendo chegar por exemplo à eugenia; assim, o principal elemento crítico da análise de Foucault reside na identificação de um novo regime social de controle, baseado não na contenção (como no regime disciplinar clássico) mas na incitação, aproximando-se da ultra-subjetivação, em Laval e Dardot, e do culto à performance, em Ehrenberg. A injunção de performance característica do neoliberalismo articula-se ao imperativo do gozo, identificado por Lacan, nos mundos da produção e do consumo e na dinâmica geral do empreendedorismo neoliberal. Em diversas áreas, a busca de performance representa em si mesma uma fonte de gozo. Adicionalmente, a performance pode ter caráter instrumental, no sentido de viabilizar o gozo. Simetricamente, o imperativo do gozo pode ser concebido em termos de desempenho, na medida em que se idealiza e se mede o grau de felicidade e satisfação. Diante da injunção de performance e do imperativo do gozo, o sujeito neoliberal mostra-se suscetível a novos tipos de patologias. A clínica contemporânea testemunha a ascensão do que poderíamos qualificar de patologias da pulsão, à guisa dos chamados “novos sintomas”. Tais sintomas reagem, de diferentes maneiras, à injunção da performance, mas isso implica, paradoxalmente, render-se à vertigem mortífera do gozo. Em contrapartida, a psiquiatria atual inclina-se a reafirmar a injunção de performance.

Palavras-chave: neoliberalismo, sujeito neoliberal, performance, gozo.

Voltar à página de eventos

[Home] [Apresentação] [Formação] [Publicações] [Participação em eventos] [Links] [Links]