[Julio Cesar Lemes de Castro; J. C. L. Castro; Castro, Julio Cesar Lemes de; Castro, J. C. L.]

[Participação em eventos]

Colóquio Patologias do Social

Organização: Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (Latesfip), Departamento de Filosofia/Instituto de Psicologia, USP
Local: São Paulo (SP)
Data: 9 a 11 de maio de 2013

A histeria e a questão de gênero

AMBRA, P. E. S.; CASTRO, J. C. L.; CATANI, J.; CONCEIÇÃO, L. H. P.; MOREIRA, L. E. V.; PORCHAT, P.; ROCHA, T. H. R.; SILVA JUNIOR, N.

Resumo: Conhecida desde a Antiguidade, a histeria sempre representou um desafio para o saber clínico. Duas vias distintas para lidar com esse desafio consolidam-se a partir do final do século XIX, a da psiquiatria e a da psicanálise. Se durante um certo período ambas coincidem em propor uma compreensão abrangente da histeria, nas últimas décadas suas abordagens têm-se distanciado. A psiquiatria contemporânea busca reduzir cada patologia a uma combinação de sintomas segundo um critério estatístico. Na medida em que o fator subjetivo que lhe daria unidade como entidade nosológica é deixado de lado, a histeria desaparece enquanto tal dos manuais psiquiátricos. Contudo, ela acaba reemergindo nos ambulatórios de várias especialidades médicas, na forma de casos sem etiologia orgânica detectável. Ademais, a multiplicação de categorias diagnósticas na psiquiatria fornece aos pacientes histéricos, propensos a um funcionamento mimético, novos parâmetros de identificação. No campo psicanalítico, a histeria tem desde o início um estatuto especial, pois é seu tratamento que propicia o desenvolvimento de uma série de conceitos teóricos essenciais. Fiel a suas origens, a psicanálise continua a considerá-la como um dos tipos clínicos fundamentais, conquanto se discuta, diante das mudanças ocorridas atualmente, se ela ainda pode ser delimitada tão bem quanto na época de Freud e até que ponto ela mantém a importância de outrora. Paralelamente, indo além das fronteiras da clínica, Lacan introduz um novo uso do conceito de histeria, tomando-a como uma das modalidades fundamentais de laço social. Na interface com o social encontramos igualmente outro campo privilegiado de manifestação da histeria: o das questões relativas às identidades de gênero. Enquanto noutros tempos ela estava vinculada de modo especial à denúncia das injunções sofridas pelas mulheres, rastreá-la na contemporaneidade implica atentar para as alterações nos estatutos da feminilidade e da masculinidade e para a ação dos grupos que buscam o reconhecimento de novas configurações de gênero.

Palavras-chave: histeria, psiquiatria, psicanálise, Freud, Lacan, gênero.

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