[Julio Cesar Lemes de Castro; J. C. L. Castro; Castro, Julio Cesar Lemes de; Castro, J. C. L.]

[Publicações]

CASTRO, J. C. L. O maravilhoso em André Breton. Anais do I Colóquio Vertentes do Fantástico na Literatura, Araraquara (SP), Laboratório Editorial, p. 629-640, 2009.

Resumo: Este trabalho explora alguns aspectos da concepção de maravilhoso de André Breton, fundador e principal animador do movimento surrealista. Breton parte da constatação de que a vida das sociedades e dos indivíduos se desenrola sob a tirania da realidade cotidiana. E mostra como o maravilhoso, definido como a centelha gerada pela aproximação casual de dois elementos distintos, pode desenvolver-se a partir da realidade cotidiana, recortando e recombinando os elementos desta, como faz o sonho com os dados da vigília. É possível distinguir quatro níveis de maravilhoso, correspondendo: 1) ao que ocorre dentro de nós (sonho, imaginação, delírio); 2) à conjunção de algo dentro e de algo fora de nós (acaso objetivo, ocultismo, amor, jogos surrealistas); 3) ao que projetamos para fora de nós (escrita automática, pintura, colagem, cinema); 4) ao que ocorre fora de nós (fatos, objetos, ambientes independentes de nossa intervenção). O maravilhoso não envolve nenhuma idéia de evasão da realidade, na direção de uma dimensão estranha, transcendente ou sobrenatural, de um além ou de uma providência, mas constitui uma espécie de conteúdo latente da realidade cotidiana. Ao mesmo tempo que se forma num estrato mais profundo a partir desta, o maravilhoso tende a irromper através da superfície que o esconde. Por isso, é o termo "revelação" (e não "criação" ou "invenção") que deve ser aplicado aqui. Entretanto, a intenção de Breton não é ignorar ou desprezar a realidade cotidiana em função do maravilhoso. Para ele, ambos têm a mesma legitimidade, e as iniciativas visando a realização do homem devem abarcá-los ao mesmo tempo e de forma coerente: “‘Transformar o mundo’, disse Marx; ‘mudar a vida’, disse Rimbaud: essas duas palavras de ordem são para nós uma só”.

Palavras-chave: maravilhoso, André Breton, surrealismo.

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