[Julio Cesar Lemes de Castro; J. C. L. Castro; Castro, Julio Cesar Lemes de; Castro, J. C. L.]

[Publicações]

CASTRO, J. C. L. Deus, ciência moderna e discurso da universidade. Caderno de resumos do VII Congresso Nacional de Filosofia Contemporânea / III Congresso Internacional de Filosofia da Psicanálise, Curitiba (PR), Editora Champagnat, p. 124, 2009.

Resumo: Partindo da teoria dos discursos de Lacan, o trabalho relaciona o advento da ciência moderna a uma mudança de hegemonia, do discurso do senhor para a do discurso da universidade. No sistema aristotélico, Deus, como significante-mestre, ocupava a posição do agente no discurso do senhor, sendo ingrediente essencial da operação da natureza e meio essencial para entender essa operação. Entronizado por Descartes na posição da verdade no discurso da universidade, Deus não tem mais função na ciência enquanto meio para entender a operação da natureza, embora possa continuar a ser, na convicção íntima de muitos cientistas, ingrediente essencial nessa operação. No mundo hierarquizado do cosmos ptolomaico, o Outro era um sistema fechado em torno de uma figura de autoridade: S1 pretendia unificar S2 na linha superior do algoritmo do discurso do senhor. No espaço da ciência moderna, que Koyré caracteriza como infinito e matematizado, o Outro é barrado: S2, na posição do agente no discurso da universidade, não é obturado por S1, posto que este está agora na posição da verdade. S2 representa também o novo estatuto do saber científico: ideias qualitativas, relacionadas a valor, harmonia, perfeição, sentido, dão lugar a ideias quantitativas, ligadas a leis abstratas. Já o lado direito do algoritmo do discurso da universidade capta o mecanismo de produção subjetiva: o esvaziamento das determinações empíricas do sujeito (objeto a na posição do outro) resulta num sujeito esvaziado (S barrado na posição da verdade), o sujeito da ciência. O paralelo com o discurso da universidade não impede que a ciência moderna envolva também outros discursos: a partir do sujeito da ciência, novos paradigmas são criados, via discurso da histeria, e um novo laço social, representado pelo discurso do analista, torna-se possível; além disso, as pretensões unificadoras do discurso do senhor sobrevivem sob roupagens renovadas.

Palavras-chave: Deus, ciência moderna, filosofia da ciência, discurso da universidade, Lacan.

Voltar à página de publicações

[Home] [Apresentação] [Formação] [Publicações] [Participação em eventos] [Links] [Links]