[Julio Cesar Lemes de Castro; J. C. L. Castro; Castro, Julio Cesar Lemes de; Castro, J. C. L.]

[Publicações]

CASTRO, J. C. L. A palavra é a morte da coisa: simbólico, gozo e pulsão de morte. Revista Mal-estar e Subjetividade, Fortaleza (CE), v. 11, n. 4, p. 1405-1428, dezembro de 2011.
ISSN: 1518-6148
Endereço original: https://periodicos.unifor.br/rmes/article/view/5025

Resumo: A introdução da linguagem cria uma separação entre as palavras e as coisas, num movimento que em termos lacanianos pode ser definido como uma transposição de registro. Por intermédio da simbolização, algo morre no real, onde a rigor tinha apenas ex-sistência (termo que Lacan toma por empréstimo a Heidegger), e emerge no simbólico, onde passa a fazer parte da realidade (que em Lacan difere do real enquanto registro). Já em Freud o ato fundador da ordem simbólica está ligado à morte: o assassinato do pai da horda primordial e seu reaparecimento subsequente como totem representa paradigmaticamente a morte da coisa que dá ensejo ao significante. Mais precisamente, o simbólico está relacionado ao conceito de pulsão de morte: a passagem da natureza à cultura implica que o homem funciona num regime de excesso, distinto do funcionamento biológico normal; o simbólico constitui um tipo de prótese, de dispositivo artificial acoplado ao organismo humano, que faz do homem uma espécie de cyborg, o mortifica. A satisfação a que almeja a pulsão de morte é o gozo, um impulso desenfreado para o prazer gerando repetição, excesso, desprazer, sensações devastadoras que põem em xeque nosso equilíbrio. O simbólico surge com as inscrições do gozo no infante e, ao mesmo tempo, institui retrospectivamente o gozo e o limita. Assim, a vida humana desenha um arco simbólico entre o real indiferenciado do gozo absoluto e o real indiferenciado da morte.

Palavras-chave: simbólico, gozo, pulsão de morte, Freud, Lacan.

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English title: The word is the death of the thing: symbolic, enjoyment and death drive

Abstract: The introduction of language creates a separation between words and things, a movement that in Lacanian terms can be defined as a transposition of register. Through symbolization, something dies in the real, where, to be rigorous, it had only ex-sistence (term which Lacan borrows from Heidegger), and emerges in the symbolic, where it becomes part of reality (which in Lacan differs from the real as a register). Already in Freud the founding act of the symbolic order is linked to death: the murder of the father of the primal horde and his subsequent reappearance as totem paradigmatically represents the death of the thing that gives rise to the significant. More precisely, the symbolic is related to the concept of death drive: the transition from nature to culture implies that man functions in a regime of excess, other than that of the normal biological functioning; the symbolic is like a prosthesis, an artificial device attached to the human organism, which makes man a kind of cyborg and mortifies him. The satisfaction aimed by the death drive is the enjoyment, an unbridled urge for pleasure generating repetition, excess, displeasure, devastating sensations which put in check our balance. The symbolic arises with the inscriptions of the enjoyment in the infant and, at the same time, establishes retrospectively the enjoyment and limits it. Thus, human life draws a symbolic arch between the undifferentiated real of absolute enjoyment and the undifferentiated real of death.

Keywords: symbolic, enjoyment, death drive, Freud, Lacan.

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